Esqueça tudo o que você sabe sobre bicicletas

Oi, gente! Já me encontro em terras europeias! Depois de um voo bem cansativo e estressante (daria um post, mas só pensar me irrito) e um final de semana na casa da sogra na Holanda, viemos para o nosso “lar, doce lar” na segunda. Hoje eu vou começar a contar pra vocês das minhas impressões daqui, e a primeira delas não podia ser outra: as bicicletas!

Na verdade essa história de bicicleta já começou naquela vez que passei um tempo na Holanda. Felizmente, não andei muito de bicicleta lá. E não consegui entender porque as pessoas optam por esse meio de transporte em um país que tem um clima tão terrível – muito vento e chuva frequente. Ok, o país não tem morros, mas ainda assim.

Embora eu more na Bélgica, meu marido continua sendo holandês e junto com a mudança vieram duas bicicletas, claro. Suspeito agora que isso não seja só coisa de holandês, no entanto. Todo mundo anda de bicicleta aqui também! Tenho três hipóteses: 1) isso é coisa de falante de holandês, 2) moramos em uma cidade universitária, e esses são os anos mais pobres das nossas vidas, bicicleta é o de transporte mais barato, então voilá, 3) talvez isso seja coisa de europeus em geral?!

Eu não sei vocês, mas eu adorava bicicleta quando eu tinha uns.. 10 anos?! E eu dava a volta no quarteirão, andava na pracinha, ia à casa da minha amiga que ficava à 10min da minha. Era super divertido! Mas aqui não é bem assim, eu notei.

No nosso primeiro dia aqui fomos ao centro da cidade de bicicleta. E eu sei que o meu marido fofo exalava sinais de achar graça de mim, procurar paciência e se esforçar pra me manter viva. Aqui o negócio parece ser mais sério. O Sten falava de bicicleta como se fosse um carro: tem que dar sinal com a mão pra virar e diminuir a marcha quando estiver parando (?!?!). Ele sobe na bicicleta com ela já andando, fica se exibindo mandando mensagem no celular enquanto pelada e nunca parece que tá morrendo, tipo eu.  Um saco. E eu sei que essa gente adora reclamar dos turistas de bicicleta, que supostamente atrapalham o trânsito, tipo eu.

Pois bem, o Sten disse que eu sou um perigo de bicicleta! Como assim né?! Ok, eu sempre tive medo de atravessar, andando, ruas super movimentadas que não tivessem o semáforo de pedestres – mesmo em Tubarão. E eu nunca quis andar de bicicleta no Rio 1) porque eu tenho medo de morrer e 2) porque eu não gosto de bicicletas. Então tá, podemos concluir que eu não sou uma ciclista das mais espertas, mas onde que tinha autoescola de bicicleta que a minha mãe não quis me matricular, Jesus?!

Ontem a gente estava tomando uma cervejinha no centro e passou um guri quase voando, e ele estava de UNICICLO! Eles devem ter alguma uma matéria na escola, tipo Andar de Bicicleta III, só para pessoas de QI acima do normal. Sério, é o cúmulo! Também descobri que tem jeitos diferentes – e bicicletas diferentes – para meninos e para meninas subirem na bike. Uh?! E que as bicicletas são como tesouros de família, passados de pai para filho. A do Sten, por exemplo, era do vô dele. É um universo esquisito que ninguém me disse que existia.

Mas voltando ao meu drama pessoal, se levarmos em conta as evidências, eis os possíveis futuros cenários dessa minha saga:

  1. Vou morrer atropelada quando estiver andando de bicicleta um dia desses.
  2. Vou fazer alguém ser atropelado por causa de alguma coisa “de turista burra” que vou fazer.
  3. Um belga bravo vai brigar comigo e me bater por causa dessas coisas de “turista burra que só atrapalha o trânsito, blablabla”
  4. Vou ter que aceitar meu triste destino e dar sinal com a mão pra virar, blablabla.
  5. Vou ficar com pernas bonitas!

Em que opção vocês votam? Espero que qualquer uma delas venha acompanhada do numero 5. É o mínimo que eu mereço, afinal de contas!

Aposto que teremos mais capítulos sobre a minha novela com as bicicletas. Fiquem ligados!